Pelo jeito, você é feminista!

Imagem: Pixabay

*Juliana Ribeiro

O comentário geralmente é dito em tom de xingamento ou incredualidade, como se a pessoa tivesse receio em pronunciar a palavra FEMINISTA. Quem é masoquista o suficiente para ler comentários em redes sociais, como eu, já deve ter visto isso várias vezes. Parece algo feio, sujo e amedrontador.
Basta uma mulher contestar costumes que ela logo é “acusada” de ser feminista. Se diz NÃO para casamento, filhos, depilação, salários menores, abuso sexual ou moral. Se não segue os padrões da moda, sai de shortinho e top, apesar de seu corpo não estar no “padrão”, prefere não alisar o cabelo e nem pintar os fios brancos, tudo é prova para o veredito final. Você é feminista!

Quando eu ainda não entendia o que era, também achava “essas feministas” assustadoras. Não que hoje eu conheça toda a história e o significado da palavra, mas mudei de ideia quando entendi que sempre houve mulheres que queriam decidir suas vidas. Todas eram feministas, embora esse nome ainda nem existisse. Só por volta do século 18, esse jeito de pensar passou a ser reconhecido historicamente como feminismo.

“Ah, mas ser feminista é ficar de mimimi com tudo? Ficar mostrando os peitos na rua e falar que o mundo é machista?”

Sim, também é isso porque cada pessoa se manifesta de um jeito. Há mulheres que defendem ativamente o feminismo quando ajudam a mãe em casa para ela trabalhar fora, pagam a faculdade da irmã ou apoiam mulheres vítimas de violência doméstica. Também há mulheres que sonham em casar, ter filhos e cuidar da casa porque, para elas, isso é felicidade. Essas também podem ser feministas porque usam o direito de escolher não ir para o mercado de trabalho (e são cobradas por isso).

Então, da próxima vez que sentir vontade de sair correndo de perto de uma “feminista”, tente entender o ponto de vista dela, mesmo que não concorde. Lembre-se: o mundo que hoje te dá liberdade, até para “xingar” alguém de feminista, só existe porque várias delas lutaram por isso, cada uma a seu modo. Muitas morreram, foram banidas e castigadas. Então, sinto dizer, você é feminista!


*@julianagribeiro.jornalista é uma das fundadoras do Vida de Adulto. Escreve às quartas-feiras, duas vezes por mês.

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