Quando a quarentena acabar

Foto: Depositphotos

*Renata Varandas

Tenho certeza: quando a quarentena acabar, o mundo entrará em festa. Aqui no Brasil, será decretado o segundo Carnaval.

Ninguém vai precisar de abadá ou ingresso, mas existirá regra: só entra quem estiver abraçado com alguém/ens.

Haverá um trio elétrico em que o cantor vai nos dar as instruções (como em uma quadrilha de festa junina onde o locutor grita: “Olha a chuva, a cobra”) e as ordens serão: “Abrace o amigo da direita, beije o da esquerda. Aglomera todo mundo!”

Também haverá uma competição nacional: quem tiver dados mais abraços apertados e sinceros ganhará imunidade à próxima pandemia.

Na nossa festa, dividiremos, ricos e pobres, a mesma bebida, a cerveja, o chimarrão e a água. E comeremos todos juntos sentados à mesa, um bem pertinho do outro.

Serviremos um banquete com os alimentos que estocamos sem necessidade e comemoraremos os aniversários não celebrados e a Páscoa, que passou em branco.

Faremos um ritual à beira da fogueira. Acenderemos o fogo com o que restou do nosso álcool-gel e queimaremos nossas máscaras de tecido. Tudo decorado com as dezenas de rolos de papel higiênico comprados e não utilizados.

Pediremos desculpas a quem ofendemos quando minimizamos os perigos de uma pandemia e faremos belas redações como fazíamos no primário contando como foram as férias. Essa chamará “O que aprendi com a minha/nossa quarentena”.

Não posso esperar essa pandemia passar para ver essa transformação mundial. Estou me guardando pra quando o coronavírus acabar.

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