A dor de se descobrir uma laranja inteira

Top view of a one orange fruit slice on bright background in orange color. A saturated citrus texture image

*Paula Coury

“Muitas felicidades, muitos anos de vida! Com quem será, com quem será que fulano vai casar?”. Cantar parabéns é dessas coisas que fazemos de modo tão automático, que nem paramos para refletir sobre as palavras ditas. Se é uma música para celebrar o nascimento e a vida da pessoa… por que termina falando em casamento? Como se o casamento fosse uma parte intrínseca da vida… Desde quando?

Desejamos “muitas felicidades” e a associação automática já é que a pessoa vai se casar…

Ninguém canta “pra onde será que fulano vai viajar?” ou “em que será que fulano vai se realizar profissionalmente?”. Tanta coisa envolvida em uma vida de muitas felicidades e a gente só pensa no casamento! E cantamos isso desde que somos bem crianças, sem nem nos questionarmos sobre tamanho absurdo.

Desde que nascemos vamos aprendendo a viver nesse mundo que nos diz a todo momento que não somos completos, não somos suficientes. Essa ideia de que precisamos de outra pessoa para nos completar está tão introjetada em nosso modo de pensar, viver e amar que até passamos a acreditar que somos só metade de uma laranja. Consequentemente, a busca pela completude se volta para fora. Acreditamos que ser laranja inteira é ser duas metades… Mas será só isso mesmo?

Na real, ser laranja inteira é muito mais do que ser duas metades.

É ser suco, semente, casca e, claro, bagaço. É olhar pra dentro de nós mesmos e saber que temos o potencial de ser TUDO, inclusive o que mais admiramos e julgamos no outro.

Tão problemático quanto pensarmos que somos só metade é nos enganarmos que somos só suco. Nos percebermos bagaço dói, mas só assim nos tornamos inteiros!

E o casamento nisso tudo? O casamento pode, sim, ser muito rico e nos levar mais fundo nessa busca pela integridade… mas não porque o outro vai ser nossa metade. E sim porque vai ser um excelente espelho para nos enxergarmos, também, bagaço.

É, ser laranja inteira é duro, mas é doce também!


*Paula Coury é mineira, que já quis ser do mundo, até que escolheu ser de si mesma. Amante de viagens, certa vez viajou para dentro de si e foi um caminho sem volta. Contadora de histórias, tem por missão compartilhar suas descobertas e, quem sabe assim, motivar você a empreender uma viagem dessas também! @sobreasaseraizes

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