Mas que coisa de louco!


Foto: Arquivo pessoal

*Ana Claudia Campos

Louco, louco??
Comecei a subir paredes de pedra como hobby, sem ter a menor ideia do bônus que teria. Só o cume interessa!, exclamam alguns no início da “brincadeira“.

Na parede, me exponho a uma situação em que só eu mesma sou capaz de me tirar. Na montanha, não há segregação. Uma régua é passada nas condições social, intelectual e de idade. As únicas moedas com valor são: disposição, saúde, coragem, humildade e sobretudo colaboração, ninguém chega ao cume só.

E agora? Não acho onde pôr os pés e nem as mãos, parece impossível avançar.

O nervosismo começa a me dominar ao perceber a dor e a fadiga do dedão apoiando todo corpo numa pedrinha do tamanho de uma ervilha. Meu rosto esfoliando na parede para manter o equilíbrio.

A falta de alternativa me dá um choque de lucidez e o autocontrole aparece no limite da necessidade. Respiro e olho mais amplamente ao redor, vejo um lugar para segurar que não havia visto antes. Percebo que, após tentar mais de três vezes sair daquilo fazendo as mesmas coisas, é preciso tentar algo diferente para um resultado diferente… funcionou! Avanço.

O sufoco, magicamente, se transforma em paraíso, já consigo um platô para sentar e ver a beleza do entorno. Ouço o som silencioso do abismo.

Privilégio!

Às vezes, estamos a um movimento de sair da “dor “ e uma dificuldade nos faz quase desistir de tudo. Nada como não ter a opção de desistir para se dar conta disso. Avanço mais um pouco. Fome, sede, os músculos choram. Mais dificuldades e me sinto mais calejada e o psicológico, mais favorável. Injeto certeza e fé! Chegou o cume!

O imenso prazer de libertar os pés esmagados pelas sapatilhas. Um gole da melhor água do mundo (mesmo aquela parecendo um chá de tão amornada pelo sol nas costas), a mordida na melhor comida (aquele sanduíche esmagado como um purê pelos equipamentos da mochila).

Descubro que o cume não interessa em si, é apenas uma pausa para saborear tudo que Vivi (com “V” maiúsculo mesmo!). Volto pra casa com aprendizados e alma lavada. Qual moeda no mundo “normal” pode te dar isso? Comemoro sozinha com meus pensamentos…

Louco, louco?

*Ana Claudia Campos é uma mulher de meia idade, sempre em fase de construção, vegana, que ama a natureza, as crianças, a dança e a vida!

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