Ainda sou eu…

Ainda sou eu
Foto: Arquivo pessoal

*Adrianna Duarte

Quando era criança, eu amava doces, pipoca e chocolate. Achava um jeito de rir de tudo, inventar histórias e cantarolar o tempo todo. Adorava cheiro de pãoassando, comer bolo quente e dançar na chuva.

Eu amava colo, cafuné, ser mimada e cuidada. Odiava ficar sozinha e tinha medo de galinhas. Acreditava que tudo o que fazemos nesta terra volta para nós e me esforçava para sempre dar o meu melhor.

Tinha poucos, porém sinceros amigos e meu lugar preferido era dentro de um abraço. Eu acreditava que a Fé consegue mover montanhas e tinha uma esperança inabalável por dias melhores, mas sempre soube que eu precisava fazer minha parte.

Eu queria plantar árvores, ter filhos e escrever livros. Tinha um desejo enorme de conhecer o mundo e de alguma forma fazer a diferença nele. Revirando os guardados do meu eu, todos os gostos, as vontades e esperanças permanecem comigo, seguros e quase intactos.

Contudo, a vida aconteceu… Levei alguns tombos, tive meu coração partido e sonhos desfeitos, mas todas às vezes eu dei um jeito de renascer: estudei, casei, separei e fui uma mãe solo desbravando novos caminhos.

Hoje quando olho no espelho, tenho orgulho do meu passado e não temo o futuro. Minhas rugas causadas pelo tempo, lágrimas e aprendizados comprovam que sou forte, talvez mais sobrevivente do que vencedora, mas com certeza uma lutadora. Meus joelhos ralados curaram e meu coração partido aguentou firme.

Conheço pouco do mundo, mas as árvores que eu plantei vingaram, meus filhos cresceram e se tornaram pessoas admiráveis, aprendo novas lições diariamente e as coloco nos livros que escrevo com a esperança de que através deles eu consiga fazer a diferença.

A cada dia, invento novos sonhos e busco a força para lutar por eles. Sou grata porque ainda encontro o prazer no simples e reconheço o valor das pequenas coisas.

Sou feliz porque aquela menina ainda sou eu.


*Meu nome é Adrianna Duarte @adriannaduarteauthor, sou gaúcha, vivo em Porto Alegre com meus três filhos e o gato. Como grande parte das mulheres brasileiras; trabalhadora e mãe solo tentando sobreviver enquanto persigo meus sonhos. Escrevo desde os onze anos e finalmente em 2018 tomei a decisão de tirar meus manuscritos das gavetas e publicar meus livros. No final de 2020 publiquei meu primeiro romance “O nosso para sempre” e em setembro de 2021 foi a vez do meu segundo livro ganhar vida. “Talvez eu só queira voar”. Os dois trazem muito do que eu sou e do que vivi.

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