Somos bagagem…

Foto: Pixabay

*Ednardo Viana

Sempre tive dificuldade de abrir mão. Para mim ainda é difícil ver as pessoas irem. Só que a gente muda, as coisas alteram. E não resta opção.

Assim, amigos passam. Aquele que era unha e carne, de repente, tem a vida e objetivos tão distintos da nossa rotina. Não que diferentes não possam conviver e serem irmãos de alma. Aliás, é até ideal que assim fosse.

Mas na praticidade cotidiana, como barcos em ventos opostos, eles se distanciam. O amor fica, sempre estará ali. As mãos seguem espalmadas para uma precisão repentina.

Só que “o correr da vida embrulha tudo”, segundo Guimarães Rosa. A coisa que era quente, também esfria. Fica aquela formal lembrança.

Penso que a existência foi feita para agregar. E, na balança contrária do afastamento, outros se achegam. Fazem-se irmãos novos. Trazem luz e arejam o caminho.

A lição que fica é: querer bem sempre! Perto ou longe. Na vista ou no coração. Deixa a estrada correr pela sola dos pés. É um esforço. Passe o que tiver que passar. E chegue o que tiver que vir. Afinal, tudo que somos é BAGAGEM.

*Ednardo Viana é o segundo de quatro filhos, pai de três meninos, jornalista, bem casado, apaixonado por futebol, samba, conversa, natureza e gente.

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