Isolamento materno

Foto: Arquivo pessoal

*Myrcia Hessen

“A maternidade é uma escolha”, disse uma pessoa ao tentar me convencer de que eu não podia ser mais a mulher que já fui antes. Na opinião desse alguém, eu quis carregar o fardo da maternidade e deveria saber que, agora, ser quem eu era seria uma irresponsabilidade.

Não quero te isolar. Só acho que o pai, a avó, uma amiga tem que ficar com a criança para você poder sair.

A pessoa não tem filhos, o que significa que ela não sabe a dificuldade que é encontrar uma rede de apoio. Nem quis discutir isso, pulei direto para uma coisa que ele, enquanto parte da sociedade, deveria saber: “A criança não precisa sair para receber estímulos e se desenvolver?”. Por que não posso levá-lo quando saio?

Eu só acho irresponsabilidade dos pais tirarem ela do seu ambiente e deixar , em um ambiente que não é adequado. Não faz bem pra ninguém: a criança fica largada e atrapalha a diversão do adulto (citou choro e correria em exposições, peças e shows que já foi).

A cada desculpa que a pessoa dava, mais aumentava minha certeza: ele me quer isolada e não tem empatia nem pela criança que já foi um dia. Expliquei que minha família é diferente, que gostamos de sair juntos e que ele deveria ter visto como meu filho reagiu, aos 4 meses, quando viajou para a Argentina e curtiu a noitada comigo e o pai.

Naquela viagem, meu filho aprendeu a rolar, olhar os peixinhos e a sorrir quando o chamavam de “gordito”. Memórias afetivas que marcaram meu coração. No ano seguinte, fomos à Disney. Novamente ouvi críticas, mas lá, meu filho começou a falar, aprendeu várias palavrinhas em inglês.

O maternar é livre e singular, cada uma com suas particularidades. Eu me sinto bem levando ele para qualquer ambiente, adulto ou infantil. Essa sou eu. Só eu sei a dor e a delícia de ser a mãe que sou.

Finalizei a conversa com certa rispidez de quem sabe o quão dura seria travar essa luta, porque, no fim, sabemos: a maternidade “ideal” é inalcançável e isso nos enche de culpa e angústia, independente da escolha que fazemos… Mas está tudo bem. Nossos filhos estão bem. Vai ficar tudo bem. O desafio é muito maior e mais profundo.

*Myrcia Hessen, mãe apaixonada, jornalista, esposa e criadora do insta @maternandoetal. Uma mulher como qualquer outra em busca de constante autoconhecimento”

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