A vida pela janela

Foto: Arquivo pessoal

*Eire Irlanda

Vejo vida, pela janela.
Qual delas? Todas elas.
Janela de casa, privilegiada com quintal, onde ainda posso tocar os meus pés.
Janela do apartamento, vejo varandas e vizinhos habitando meu cotidiano.
Janela de empresas, fechadas, vazias, mas repletas das memórias de outros expedientes.
Janela do hospital, vejo a vida de fora me chamando pra viver, aqui dentro.
Janela do céu, de desabrigados e hóspedes do relento, e uma solidariedade extraoficial.
Janela do presídio, agora, duplamente abarrotado, de conflitos, perdões e humanos.
Janela de escolas, espaçosas, repletas de ecos, gritos e risadas de nossos guris.
Janela de asilos, e a sabedoria, por vezes só mais silenciosa, de se esperar a dupla ausência dos quem’s se recolheram dali.
Janelas da aprendizagem, onde se resgatam velhas lições, de pais, os primeiros mestres da vida.
Janela da imaginação, tiradas teias adultecidas, de hobbies, de dons, de brincadeiras que passam a entreter não mais só as crianças.
Janela da internet, (re)conectando pessoas e mundos.
Janela do tempo, triplicado quando ócio e perdido na imprevisibilidade e em rotinas, aparentemente, inéditas.
Janela da vida, “reencontrando” famílias ou a saudade/ausência delas.
Janela do coração, de sentimentos, extremos e diversos.
Janela da alma, vizinha do silêncio, inquilina da fé e GPS de caminhos.
Vejo tanta vida pela janela e vejo tanta “JANELA” para a VIDA.


*Me chamo @eire.irlanda, sou a eterna filha, aprendiz de mãe, advogada e gastrônoma, e aquela que persiste em sentir o que as palavras conseguem nos dizer.

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