Feminicídio: a sororidade como uma medicina natural

Foto de Sarah Nascimento para o texto Feminicídio e sororidade
Foto: Arquivo pessoal

*Sarah Nascimento

Ecoou forte em mim o texto “O Feminicídio e a Solidão”, da @realmarthamedeiros. Com sensibilidade e coragem, ela evoca uma reflexão essencial no caminho da dissolvição do ódio masculino contra as mulheres – o potencial feminino e a relação entre as mulheres. “Quem pode nos ajudar a apressar a chegada do novo mundo? Nós mesmas”, diz.

Em que sentido? No modo como enxergamos e julgamos umas às outras, a partir de um viés bem familiar: o da desvalorização da mulher sem um homem a seu lado. Como diz a escritora, podemos ter êxito no que for, mas “se não tivermos uma relação amorosa, somos vistas como seres mutilados”. E, de 0 a 10, o quanto você sente que a cobrança é das próprias mulheres?

Por quanto tempo, eu mesma, infeliz no casamento, ao ver uma mulher sozinha, sentia pena e me dizia: “Bem, ao menos tenho alguém”. Com esse prêmio de consolação, arrastei uma relação já anêmica pelo medo de perder aquela presença masculina. Como se fosse possível perder o que não se tem… E olha que sou das mulheres mais independentes que já conheci!

Então, sim, o medo de não se ver na condição social de mulher “só”, ainda faz com que milhares de nós aprisionem-se na infelicidade e, muitas, vivam no corredor da morte e entrem nas estatísticas policiais.

Exagero? Pois foi justamente a história que ouvi recentemente sobre uma mulher aconselhando outra, após um caso de violência física do marido: “Vá embora. Você ainda tem escolha…”.

Como assim?! Sempre há uma escolha de abandonar o sofrimento, pois o propósito do nosso nascimento não é a resignação, mas a nossa realização. Para isso acordarmos a cada manhã. Nenhuma solidão drena mais nossa vitalidade que a solidão a dois.

Voltando a Matha Medeiros, ela fala do secreto incômodo de conviverem com uma pessoa “que é ímpar, e não par”. “Como consegue? De onde vem essa força estranha?”. Da inteireza conquistada com um ingrediente mágico – a sororidade.

Olhe mais de perto. Não somos una. Somos mulheres não mais atadas à rivalidade que nos violenta, mas tecendo nossas vidas com liberdade e apoio.


*@sarahnascimento.evolucao é uma das fundadoras do Vida de Adulto. Atualmente participa como colaboradora.

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