Vou mergulhar de onde subi

Juliana G. Ribeiro escreve sobre o fim do mundo, que era esperado para o ano de 2000
Juliana comemora seu aniversário de 4 anos (Foto: Arquivo pessoal)

*Juliana G. Ribeiro

Eu era criança quando ouvi em um programa de tevê (acho que o Fantástico) que o mundo poderia acabar no ano 2000. Para comprovar a possibilidade, falaram das profecias de Nostradamus, de soluções matemáticas que iriam fazer as máquinas ficarem malucas e trazer o caos. Ouvi assustada e fiquei sem entender como o mundo já tinha data para acabar se eu ainda nem tinha crescido.

Quando fui dormir, me consolei ao fazer as contas e constatar que eu já teria quase 30 anos quando o mundo acabasse. Então concluí que, a essa altura, eu estaria casada, com filhos e sonhos realizados.

Fiquei tranquila. Poderia esperar o fim do mundo em paz!

Um dia me lembrei dessa fantasia de criança e ri sozinha. Continuo rindo até hoje quando faço as contas e vejo que há muito tempo deixei o fatídico ano 2000 para trás. O mais surpreendente é que ainda faço planos.

Agora sei que não há tempo para certo para viver, morrer, realizar sonhos. Hoje sei que sempre é possível fazer algo pela primeira vez. Até na hora do almoço. Conhecer um tempero novo, um suco de fruta diferente.

Quando bebi suco de taperebá pela primeira vez, no interior do Amazonas, tive que pedir para o garçom repetir duas vezes o nome da fruta. Hoje adoro o sabor. Mas quando viajei para o Uzbequistão, não quis comer picadinho de carne de cavalo, prato típico do país. Tudo tem limite!

Sair da rotina é buscar a renovação. Pode ser por sua própria decisão ou não. Fazer aniversário é, para mim, um símbolo dessa renovação. Posso lamentar a velhice que se aproxima ou comemorar mais um ano de vida e oportunidades.

Esta semana, vou comemorar a renovação do meu tempo. É meu aniversário! Se vou aproveitar ou não as oportunidades desse novo período, o tempo dirá. Mas quero que seja “Tudo novo de novo” para eu me jogar de onde já caí e mergulhar de onde subi, como na música “Tudo novo de novo”, do Paulinho Moska.

Que cada mergulho seja um novo sonho, um novo plano de vida, um frio na barriga. Mas também não quero o frio na barriga da montanha russa ou de um salto de paraquedas. Tudo tem limite!


*@julianagribeiro.jornalista é jornalista e uma das fundadoras do Vida de Adulto.

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