Você fala inglês?

Juliana Ribeiro no Blog Vida de Adulto
Trabalhando no Centro de Mídia da Copa do Mundo 2014 (Foto: Arquivo pessoal)

*Juliana Ribeiro

O UOL divulgou a matéria “Empresas deixam de exigir inglês no currículo para favorecer inclusão”. Quando li, lembrei de uma entrevista de emprego que, há tempos, fiz em uma grande empresa:

— Você fala inglês?
— Sim, eu falo, mas não tenho fluência. 
— Mas qual seria o seu nível?
— Em testes formais, tenho nota como intermediário avançado.

A coordenadora da área, que me entrevistava, começou a rir. Virou para o colega ao lado e comentou, em tom de deboche:
— Eu nunca entendo quando alguém fala que é intermediário avançado. O que viria a ser isso?

No cargo em questão, eu sabia que as tarefas diárias não exigiam a fluência no idioma. Mesmo assim, meu nível de inglês não foi testado, em conversa ou por escrito, e minha experiência profissional foi pouco questionada. Então me perguntei: eles queriam um tradutor ou um profissional com experiência na área?

Fiquei pensando em como, todo dia, precisamos nos encaixar em modelos pré-definidos.

É como se fosse uma forma de bolo. Pode ser quadrada, redonda ou oval, mas sempre há uma exigência que alguém acha ser a correta. 

Na vida pessoal, muitas vezes entramos nessa “forma de bolo” sem perceber. Quando eu era adolescente, lembro que tentava parecer mais extrovertida e usava roupas diferentes do meu estilo só para ficar parecida com algumas colegas da escola. Quantas vezes não sonhei em ter uma franja, mesmo meu cabelo não sendo liso? Ah, mas “todo mundo” tinha franja, eu dizia.

No mundo corporativo, a exigência de padrões fixos eram inquestionáveis até pouco tempo atrás, mas fico feliz em ver que começam a ser flexibilizados.

No caso do inglês, acho que a diversidade aumenta quando as empresas abrem mão da fluência e começam a exigir a proficiência de acordo com o cargo. Melhor ainda se incentivam financeiramente o estudo de idiomas, como algumas estão fazendo.

O ambiente de trabalho precisa ser mais humano e diversificado, assim como os padrões de roupa, cabelo e peso. Ainda estudo inglês porque gosto, mas não quero mais ter franja.


*@julianaribeiro_blog é uma das fundadoras do Vida de Adulto. Escreve às quartas-feiras, duas vezes por mês.

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