NÓS

Foto: Fernando Franco

Olá, eu não te conheço pessoalmente mas conheço suas dores. Sei onde machuca, onde aperta, sufoca, mas nunca vi seu rosto.

Não sei onde você nasceu, se é fã do Chico ou qual é a sua profissão, mas sei quais são seus medos.

Também não sei se seu signo combina com o meu, se você gosta de cachorro ou de gato, se você é de esquerda ou de direita. A única certeza que tenho é que temos uma conexão forte.

E foi assim o meu, o nosso domingo de adultos. Encontros que jamais aconteceriam se não fosse a nossa Vida de Adulto nos unindo.

Neste domingo, a pergunta que mais escuto foi respondida – não de forma abstrata, como é normalmente – mas da maneira mais concreta possível: “Por que você se expõe tanto nestes textos?” A resposta concreta é essa foto aí em cima. Por isso: porque se o que escrevo faz sentido pra alguém, além de mim, então algum sentido deve ter, ou melhor, tem.

Um abraço de quem eu nunca vi antes, cheio de amor, agradecimento e cumplicidade paga qualquer exposição das fragilidades, dores, perdas. Um sorriso de imensa satisfação de uma amiga querida faz valer a pena a abnegação das vaidades.

Se deixar vulnerável requer coragem, mas ouvir relatos de leitores, como ouvi neste domingo, de que se encontraram nos meus textos, me faz mais forte.

E aqui repito o que disse a uma pessoa especial neste encontro, quando ela me perguntou: “E agora, como você está?” Respondi: “Feliz porque hoje eu sei meu tamanho. O que passou me ensinou. E meu aprendizado é meu melhor presente. Hoje, não aceito menos do que mereço e você também não aceitará porque estamos unidas.”

E assim acabou um domingo memorável: com a certeza de que juntos somos muito mais fortes e que conexões virtuais podem se transformar em laços inexplicavelmente reais, em nós que não se desatam mais. Em nós. Todos nós.

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