A esperança na fresta do cotidiano

Foto: Fernando Franco
Foto: Fernando Franco

*Nathália Coelho

Às vezes vem depois de uma noite de choro;
ou por uma mensagem despretensiosa de uma amiga
quem sabe por meio da leitura de um poema;
nos encontros inusitados da vida.
Às vezes, a esperança está numa fala curta
e a pessoa nem entende o que se passou dentro de ti.
Pode ser pela gentileza de um copo de água;
numa fila de pão no supermercado,
Ou você mesmo se ouvindo ao aconselhar um colega.
Às vezes, a sua cabeça está só confusa
e sem querer alguém desenrola o novelo
pode ser também uma dúvida
que martela, martela, martela
e encontra uma companheira que diz:
“calma, o prego já se encaixou!”
e você nem percebeu…
Às vezes, a esperança vem no domingo a tarde
tem gosto de bolo de cenoura com chocolate
e toque de abraço real – germinado do virtual!
A esperança está na fresta do cotidiano
Mas o pensamento cartesiano
nos impede de ver.
É que a gente não consegue se olhar no espelho
sem enxergar apenas defeitos.
É que a gente não consegue ficar um dia sequer
sem sentir-se apedrejador da Maria Madalena
de nós mesmos.
É que a gente, a gente precisa de gente de verdade
Que evidencia entremeios;
Que traz equilíbrio em visões extremadas
Que humaniza e solidariza
Com nossos processos de viver.
A gente precisa ser essa gente
a própria esperança –
em forma de carne
em forma de osso
enquanto o coração bater!

*Nathália Coelho é jornalista, escritora, professora e doutoranda em Literatura pela UnB. Além da escrita, ama também as plantas! É autora da página @contradigo no Instagram e do Blog A rua esquerda.

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