Pleníssima, a fantasia

Foto: Arquivo pessoal

Quem é essa que se esconde atrás da máscara? Tóquio? Náirobi? Lisboa? Se você viu a série da Netflix “La Casa de Papel”, vai entender a fantasia. Se não assistiu, veja. E siga o texto que não tem spoiler. Quero te contar sobre a experiência assumida de usar uma máscara. De não saberem quem sou eu mesmo que por alguns minutos.

No mínimo interessante sair um pouco de mim e não precisar me expressar. O rosto do pintor Salvador Dalí fazia isso por mim. A expressão era a dele. Estática. Não sabiam se eu estava chorando, rindo, achando graça ou tédio daquilo tudo.

Mas debaixo daquela máscara e do macacão vermelho, estava eu, com outra fantasia: a pleníssima. A camiseta branca com letras vermelhas garrafais avisava pra quem não soubesse: estava plena. Plena, não, pleníssima. Camiseta que eu não escolhi. Ganhei de presente junto com um kit de maquiagem com as cores de purpurina do Carnaval.

  • É a sua cara, Taciana.

Fiquei na dúvida se vestia ou não. Uma festa de Carnaval seria a única chance para a camiseta. Pleníssima é uma fantasia pesada demais pra carregar no dia a dia. Então vesti. E aceitei o desafio de incorporar a pleníssima. Naquele macacão vermelho amarrado na cintura com zero de sensualidade. Eu não precisava ser sexy e lhe garanto isso foi um alívio pra mim. Eu tinha de ser plena.

Mas o que é ser plena? Poucos sabiam que cinco dias antes deste momento das fotos eu tinha arrancado um dente siso e ficado três dias de cama com a cara inchada. Pleníssima na minha recuperação. Comecei a dançar ainda com a cabeça preocupada com os pontos na gengiva, pensando no repouso, mas o dentista estava na festa e me liberou.

Fui me soltando aos poucos. Quando vi… plenitude. A velha foliã adormecida em mim estava presente, feliz de pular no compasso de marchinhas, de cantar o samba-enredo da década de 80 e de sacudir com a sequência baiana dos anos 90. Essa também sou eu.

Plenitude talvez seja isso, esse intervalo de tempo que você não precisa de fantasia nenhuma, quando a máscara foi deixada de lado. Nem que seja por algumas horas. Nem que seja Carnaval. Pleníssima.

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