Uma ausência presente

*Cecília Malheiros

Neste mês de julho, faz 37 anos que meu pai morreu. Faltam alguns dias para o meu aniversário de 39 anos. Eu era uma criança de quase dois anos, portanto, não tenho memória da sua voz, do seu cheiro, da sua risada, dos seus trejeitos, das suas manias. Eu não lembro de nada.

Mas eu criei na minha cabeça as lembranças que eu gostaria de ter vivido. O melhor abraço, o melhor colo, as melhores piadas, o jeito de andar… Tudo isso a partir de relatos de pessoas que o conheceram e sempre diziam que ele era bem-humorado, pacato, simples, devoto à família, gostava dos amigos por perto e era apaixonado pelo Botafogo.

Um ser humano do bem e que a gente quer sempre por perto.

E, em meu benefício, gosto de lembrar que ele sempre sonhou ter uma filha, além dos outros três filhos homens que deixou. Quando adolescente, eu sempre olhava para o céu e conversava com ele através das estrelas. Eu cheguei a te culpar por questões da minha vida que eu achava que seriam melhores se você não tivesse morrido.

Que droga, por que você morreu com 28 anos?

Por que não ficou aqui pra me ajudar a crescer? Eu nunca obtive respostas, mas sempre senti meu coração preenchido com alguma mensagem que no fundo dizia: eu estou aqui. Eu sempre senti sua presença, pai. Um dia a gente se encontra.

Luiz Malheiros de Melo
10/09/1954
10/07/1983


*Cecília Malheiros é jornalista e atua há 15 anos em assessoria de imprensa. Ficou órfã de pai, mas teve em sua mãe a força e inspiração de uma mulher que dedicou a vida para criar os 4 filhos. Hoje tem uma filha de 6 anos e outros três enteados, filhos do coração.

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