Quando o ar me faltou

*Alessandro Saturno

Imagine puxar o ar e ele não vir. Tentar respirar e não conseguir. Saber que para morrer é daqui para ali. Tive Covid. Chegou minha vez de enfrentar esse monstro. Um inimigo invisível que invade o corpo e tenta te levar ao desespero. Nesta hora, é preciso força para enfrentar. Se entregar ou fugir são as piores saídas.

Comigo eram febres de 39 graus. Elas vinham todo dia às seis da tarde. Meu corpo parecia não ser mais meu. Ter algo dentro de você que foge ao controle assusta. Ficava prostrado na cama. Só conseguia dormir às duas da manhã quando suava bastante.

Durante o dia, não tinha forças para absolutamente nada, com dores no corpo e dor de cabeça. No décimo primeiro dia, respirei e pensei: “O décimo quarto dia está chegando e aí conseguirei voltar ao normal.” Ledo engano. Dores mais intensas apareceram.

Aí veio uma das últimas pancadas da Covid: meu pulmão.

Tudo bem… Não sou atleta, porém não faço parte do grupo de risco, sempre malhei, me alimentei bem, não tenho pressão alta, diabetes, acredito que o vírus logo logo vai embora.

Pobre de mim… Ainda em casa, respirar ficava impossível. Corri para a emergência do hospital. Lá, depois de uma bateria de exames, a notícia: “Meu caro, 50% do seu pulmão está comprometido. Plaquetas baixas. Internação já”.
Estava tão fraco nem tive tempo para meditar no que ela estava falando. “Quero oxigênio.”

Se vi a morte? Claro… mas disse a ela que por enquanto estamos em isolamento social e dessa forma queria distância.

E ela se foi quando passei a me agarrar na seguinte afirmação: “A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável”. Foi aqui que descansei.

Sou repórter, jornalista e advogado. Funções que conquistei a duras penas, mas naquele quarto do hospital eu não era mais eu… Era o rapaz do quarto 117 que também estava com COVID e requeria atenção.

De casa, pelo whatsapp, recebia o amor da minha esposa e filha. Mensagens e ligações de amigos. Foram várias doses de antibióticos, anticoagulante, dipirona na veia e muito carinho de toda equipe médica. No sétimo dia de internação, voltei a respirar e ganhei alta. Fui salvo da Covid.

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De @alessandrosaturno Imagine puxar o ar e ele não vir. Tentar respirar e não conseguir. Saber que para morrer é daqui para ali. Tive Covid. Chegou minha vez de enfrentar esse monstro. Um inimigo invisível que invade o corpo e tenta te levar ao desespero. Nesta hora, é preciso força para enfrentar. Se entregar ou fugir são as piores saídas. Comigo eram febres de 39 graus. Elas vinham todo dia às seis da tarde. Meu corpo parecia não ser mais meu. Ter algo dentro de você que foge ao controle assusta. Ficava prostrado na cama. Só conseguia dormir às duas da manhã quando suava bastante. Durante o dia, não tinha forças para absolutamente nada, com dores no corpo e na cabeça. No décimo primeiro dia, respirei e pensei: "O décimo quarto dia está chegando e aí volto ao normal." Ledo engano. Dores mais intensas apareceram. Aí veio uma das últimas pancadas da Covid: meu pulmão. Tudo bem… Não sou atleta, porém não faço parte do grupo de risco, sempre malhei, me alimentei bem, não tenho pressão alta, diabetes, acredito que o vírus logo logo vai embora. Pobre de mim… Ainda em casa, respirar ficava impossível. Corri para a emergência do hospital. Lá, depois de uma bateria de exames, a notícia: "Meu caro, 50% do seu pulmão está comprometido. Plaquetas baixas. Internação já". Estava tão fraco nem tive tempo para meditar no que ela estava falando. "Quero oxigênio." Se vi a morte? Claro… mas disse a ela que por enquanto estamos em isolamento social e dessa forma queria distância. E ela se foi quando passei a me agarrar na seguinte afirmação: "A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável". Foi aqui que descansei. Sou repórter, confeiteiro e advogado. Funções que conquistei a duras penas, mas naquele quarto do hospital eu não era mais eu… Era o rapaz do quarto 117 que também estava com COVID e requeria atenção. De casa, pelo whatsapp, recebia o amor da minha esposa e filha. Mensagens e ligações de amigos. Foram várias doses de antibióticos, anticoagulante, dipirona na veia e muito carinho de toda equipe médica. No sétimo dia de internação, voltei a respirar e ganhei alta. Fui salvo da Covid. #blogvidadeadulto #escreverfazbem #pandemia #covid19 #textosautorais

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*@alessandrosaturno é jornalista, empresário, advogado pós-graduado em direito público e confeiteiro de mão cheia. Há quinze anos está na Record TV. É apresentador e atualmente atua como repórter nos principais jornais da casa: Jornal da Record e Fala Brasil.

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