Amor I love you

*Fabrícia Hamu

— Mãe, você tá triste?

— Não, filha.

— Tá sim. Você tá com saudade do tio João?

— Acho que tô…

— Então por que você não liga pra ele?

— Coisa de adulto. É complicado.

— Também sinto saudade. Queria que ele viesse aqui.

— Acho que ele não viria, filha.

— Mas se você não ligar, a gente nunca vai saber!

O diálogo se deu entre minha amiga e Maryah, sua filha de seis anos. João é o ex-namorado com quem ela terminou – não por falta de amor, mas por esses desentendimentos que pensamos ser intransponíveis, e que para as crianças não são nada que a sinceridade não resolva.

Sábia Maryah. Ano passado, segui a dica dela e não me arrependi. Na minha família, nunca fomos de declarações de amor, abraços e beijos. A forma de manifestar afeto era outra, no cuidado, na ajuda. Porém, como sabia que não teria muito tempo com minha mãe, quis fazer diferente.

Ela estava internada no hospital. Um dia, me sentei mais perto, a abracei, tomei coragem e disse:

— Mãe, você sabe que eu te amo muito, né?

Espantada, ela sorriu e respondeu:

— Sei… A minha geração é diferente da sua, a gente foi criado mais seco. Mas eu também, viu?

— Você também o que, mãe?

— Eu também amo você.

Nossos olhos se encheram de lágrimas e ficamos ali, caladas, contemplando a dádiva que foi ter conseguido expressar esse amor com todas as letras. Uma semana depois ela se foi.

Minha amiga também seguiu o conselho da Maryah e confessou para o João que estava com saudades. Ele foi visitar as duas, conversou com ela e reataram.

Essa história de “Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder” é bonita na música do Lulu e nos filmes. Na vida real, onde perdemos as pessoas num piscar de olhos, estou mais para Marisa Monte, com “Deixa eu dizer que te amo, deixa eu pensar em você”.

Afeto declarado é sempre afeto dobrado. Alegra quem ouve e deixa leve quem fala. Então, sabe aquela pessoa para quem você queria se declarar? Mande este texto para ela. O dia é hoje. A hora é agora. O compromisso mais importante das nossas vidas é a urgência de amar.


*@fabriciahamu é uma das fundadoras do Vida de Adulto. Escreve às segundas-feiras, duas vezes por mês.

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