Quando eu te encontrar

Fabrícia Hamu no Blog Vida de Adulto
Crédito: Fábio Lima

*Fabrícia Hamu

Sabe, eu vivi praticamente este ano todo entre livros e lives. Não que tenha sido ruim, pois aprendi muito. No entanto, também não posso dizer que tenha sido bom, porque faltou você. Nada supera a presença de um amigo. O olho no olho. O abraço.

É por isso que, quando eu te encontrar, o celular vai ficar guardado na bolsa. Nada de telefone à mão, para consultar de tempos em tempos de quem são aquelas notificações de redes sociais que chegam sem parar.

Minha atenção será só sua, porque hoje, mais do que nunca, sei do seu valor. Um “oi, tá em casa? Vou passar aí!”, ou um “tô no barzinho, vem pra cá fazer happy hour”, que eram tão banais para nós, agora são preciosidades, medidas e regradas.

E é também por isso que, provavelmente, se vier me visitar, devo comprar flores para te receber. A mesa estará bonita, arrumada. Será uma ocasião importante, quase solene. Ter você aqui é motivo de festa.

Também estarei de cara lavada e te contarei em detalhes tudo o que tenho sentido. Quero te encontrar sem filtro, no corpo e na alma. Acredito que você fará o mesmo, e por isso vai ser tão bom. Vai ser de verdade. Real-oficial.

Não dá para calcular a sua importância na minha vida. O que pode ser mais incrível que ter alguém que conhece seus medos e sombras e, ainda assim, escolhe continuar ao seu lado?

O que pode ser melhor que alguém que não usa suas fragilidades para demonstrar poder? Que não usa o que você disse contra você?Que chora junto e consola cada perda, e que também celebra com alegria cada conquista?

Esses dias, uma amiga postou um trecho do livro “O que aconteceu com o adeus”, de Sarah Dessen, que dizia: “O lar não era uma casa definida, ou uma única cidade no mapa. Era qualquer lugar onde as pessoas que te amavam estivessem juntas. Não um lugar, mas um momento, e depois outro, construindo uns sobre os outros como tijolos para criar um abrigo sólido, que você leva com você por toda a vida, aonde quer que vá”.

Sua amizade é abrigo para mim. E, vou confessar: ando morrendo de vontade de voltar para casa.


*@fabriciahamu é uma das fundadoras do Vida de Adulto. Escreve às segundas-feiras, duas vezes por mês.

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