Mulher sem vergonha

Sarah Nascimento escreve o texto "Mulher sem vergonha"
Foto: Divulgação

*Sarah Nascimento

Nos anos 1920, Marguerite Dumont é uma mulher rica que ama cantar ópera em casa para os amigos. Ocorre que ela é hiperdesafinada mas, mesmo seu marido, tem coragem de lhe dizer. Ela segue acreditando em seu talento, a ponto de decidir apresentar-se em um teatro. A história é real e virou filme. Nunca me esqueci da cena em que ela entra no palco para ensaiar e se intimida. Seu “professor” de canto, segura-a com firmeza e lhe diz: “Diante do público, é preciso para de ter vergonha de existir!”.

Hoje os holofotes estão voltados para nós mulheres. O olhar da sociedade, o olhar masculino; o olhar dos filhos; o olhar do mercado de trabalho… Como você se sente quando os olhares se voltam para você? E quando lança luz sobre si mesma?

Quer se ver agora? Não. Não é preciso procurar um espelho. Este geralmente é apenas o refletor do nossos pensamentos depreciativos… O Pequeno Príncipe nos ensinou: “Só se vê bem com o coração”.

É a respiração a porta de entrada…

Inspire, levando a atenção para o centro do peito, na região da glândula timo. A palavra vem do grego thymos e significa energia vital.

Expanda um pouco mais a sua atenção, sentindo agora os seus pés; em seguida, as pernas, as cochas e os quadris… Há conforto, desconforto? Constate, sem nada modificar; apenas siga viagem…

Perceba, em seguida, seu útero; o estômago, região dos medos. Suba até os ombros, percorra seus braços e mãos, que acalentam, que transformam trabalho em alimento, sonhos em realidade…
Retorne, chegando ao pescoço, canal pelo qual o ar se converte na nossa fala. Você tem podido se expressar ou vive com um nó na garganta?

Avance um pouco mais chegando à cabeça. Sinta seus cabelos, olhos, orelhas, boca e nariz. Perceba agora todo o seu corpo integrado, vivo. Perceba, fluindo por cada célula, essa energia que, em você, recebe o nome “mulher”. Reconheça-se. Nenhum reconhecimento pode ter valor antes do reconhecimento pessoal.

Diante DA VIDA, precisamos parar de ter vergonha de existir. Quando o desamor se dissolve, ninguém pode nos ferir e podemos cumprir nossa missão – transmutar dor em Amor.


*@sarahnascimento.evolucao é uma das fundadoras do Vida de Adulto. Atualmente participa como colaboradora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *