SAUDADE

Saudade
Foto: Arquivo pessoal

Saudade de não sentir mais um cheiro, um aconchego

*Miryan Lucy Rezende

Fiquei sabendo que instituíram o dia da saudade.
Perdoem-me os que discordarem, mas se há sentimento sem dia e hora marcados, esse, com certeza, é a saudade.

Ah… a saudade cada dia tem um nome, um lugar, um suspiro – mais ou menos – profundo.

Há aquela que não cabe no peito e a dor se assemelha a um ataque cardíaco.

Há a saudade que se parece com a orla do mar em fim de tarde – é pura poesia.

Há a saudade do que a gente não viveu e do que a gente viveu demais.

Ah, a saudade é um prato cheio de lembranças em mesa grande onde a família se reunia em festa e o pai rezava antes da refeição.

Saudade é perceber que aquela criança, ontem tão necessitada de sua mão, hoje mal cabe no seu abraço.

Saudades são muitas e de tipos vários. De diferentes dores e intensidades.
Algumas nem doem… mas nos fazem sorrir entre um dia e outro, entre uma lembrança e outra.

Saudade de não sentir mais um cheiro, um aconchego. Seja de um pai, mãe, irmão ou um grande amor que nos deixou na beira do cais, no limite de todos os ais.

Saudade do tempo em que o riso era mais fácil, mais claro. Saudade do que fomos, do que ainda não chegamos a ser.

Saudade é todo dia, meu amigo, saudade é sempre.

Saudade é o ontem e o daqui a pouco. Quando eu fechar este texto e ele seguir seu caminho, será passado. E se chamará saudade!

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