O monstro da cozinha

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Foto: Pixabay

*Rose Mendes

Tenho um certo trauma com cozinhar. Com isso, até antes da Covid-19 e do consequente isolamento social, eu evitava ao máximo ir para a cozinha, em qualquer ocasião. Não tive incentivo em casa e, quando inventava de fazer algo, minha mãe não comia. Mesmo que os outros aprovassem o prato.

Aprendi o básico quando fui morar com meu pai, no começo da adolescência. Ele aceitou minha incursão à cozinha mesmo sem aprovar muito, talvez com medo de eu me queimar. Foram dois anos de aprendizado, olhando-o fazer e também me arriscando.

Voltei a morar com minha mãe ainda na adolescência. E lá arrisquei poucas vezes a fazer alguma coisa. Logo passei a trabalhar e a ficar o dia todo fora de casa, acostumando-me a almoçar em restaurantes. Depois que minha mãe se foi, passei a comer quase que apenas fora de casa. E me acostumei a isso.

Recentemente, ainda antes da pandemia, senti-me desafiada com a fala de uma amiga e decidi pôr a mão na massa. Desse desafio saiu meu primeiro antepasto de berinjela – um prato que amo! E ele foi aprovado.

Aí veio a pandemia e novamente fui posta à prova, agora pelo isolamento social. Afinal, diante da incerteza, não dá para comprar comida pronta todo dia, agora para duas pessoas. Ainda compro, visando apoiar os comerciantes locais, mas já não me furto de seguir na tentativa de dominar o monstro da cozinha.


*@rosemsilva38 é mestre em Comunicação pela Universidade
Federal de Goiás (UFG). Graduada em Jornalismo e em Biblioteconomia pela UFG. Bibliotecária do Sistema de Bibliotecas da UFG.

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