Para meu neto Tomás

Cecília Rogers escreve o texto Meu neto Tomás
Foto: Arquivo pessoal

*Cecília Rogers

Você chegou tão pequenino, uma bolinha de gente, macia e frágil. Abriu em mim um sentir de novo, uma vontade de ser brisa leve na sua vida, de “infinitar” seus sonhos, ser colo que ampara nas quedas, ser luz no seu caminhar. Um amor novinho explodiu em mim com a mesma força do seu primeiro choro. Tanto e tanto, que só poderia virar poesia.

Assim, comecei a tecer a nossa vida-poesia. Dos nossos encontros, em casa ou a passeio, foram brotando os poemas de meu segundo livro, uma celebração ao amor. Quando você completou um ano de vida, passaríamos a viver as ausências do pesadelo inimaginável deste século, com a pandemia da covid19.

Logo no começo, a necessidade de afastamento me deixou sem chão.

Ficamos dois meses sem nos vermos. Foi quando comecei a aquarelar, sem nunca ter feito antes, e quando percebi, eram expressões dos poemas escritos e que estavam engavetados.

Aos poucos e com os cuidados necessários, pude ter comigo de novo o seu sorriso e carinho. Com uma série de aquarelas prontas, a vontade de ver o livro brotar ganhou vida e se realizou pela força desse amor. Pela força da Poesia de Vó que mora comigo.

Da vó coruja que te ama,

Cecília Rogers


*@ceciliarogers.poeta é de Niterói (RJ). Tem 2 livros publicados: “Ardia a poesia em Maria” (2018), um diálogo com a fotografia, e “Poesia de Vó (2020), onde a palavra é lapidada com afeto em estado puro.

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