Finalidade ou escolha

*Betânia Pereira

Sabe quando colocam o “ser mãe”, “casar” como finalidade de sua existência, obrigação existencial? Põem-te para ser carneirinho do sono.

Acontece diariamente na vida de homens e mulheres que ainda vivem numa sociedade etária (idade para isso, para aquilo, já passou da idade disso) como se tudo na existência fosse finalidade, existem alguns acontecimentos que são escolhas.

Escolhas com atitudes que evidenciam decisões nossas ou do Ser superior (se assim preferir, numa ótica religiosa e aceitamos). Não necessariamente precisamos ou devemos estar dentro das regras e exceções, temos antes de tudo passar pela construção de afetos, autoconhecimento, saber o que te deixa e te faz bem e até quando te fará bem.

A compreensão de que viver é um ato “solitário” (vivemos para nós, nosso bem-estar) e não de modo coletivo, para agradar ao outro. É bem mais amplo do que se colocar dentro de uma relação ou ter filhos sem uma leitura adequada daquilo que se quer realmente.

Oferecer-te e ofertar o outro é ato de amor, amor próprio antes de tudo e todos. Para crescimento tanto interno quanto externo, temos urgência de aprender o que nos deixa felizes.

Será que a receita de bolo do vizinho é tão gostosa assim? Será que a roupa do amigo com o mesmo biotipo que o nosso nos cairá tão bem assim? Reflexão de nossas vivências e de padrões e necessidades, de vidas que podem ser interrompidas ou prolongadas, de acordo com nossas escolhas.

Podemos sim, construir nosso próprio caminho e percorrê-lo sem necessidade de escolhas e finalidades. Podemos sim, nos despir de tudo isso. Mas também podemos escolher pensando na finalidade de nossas escolhas, refletindo sobre as decisões, só não há necessidade de obedecer a regras nem padrões.


*@btannia é historiadora/enfermeira. Autodidata na escrita, acreditando que a cura do ser parte do autoconhecimento e aceitação.

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