As pedras do meu caminho

As pedras do meu caminho, texto de Juliana Ribeiro
Foto: Arquivo pessoal

*Juliana Ribeiro

A pior fase do isolamento social já passou para mim. Nas duas primeiras semanas, foi horrível a sensação de estar presa, sem liberdade de ir e vir. Para uma típica ariana, a falta de autonomia é uma sensação horrível. Só perde para as doenças graves, que, claro, também limitam a independência.

Depois veio a fase do “vou deixar a vida me levar”. O tempo passou, até participei de um processo seletivo e mudei de emprego em plena quarentena. A nova vida foi se assentando. Continuo sem fazer algumas das coisas que mais gosto, como encontrar pessoas, viajar, correr na rua, nadar, ir para botecos, mas o sentimento atual é de resignação.

Não posso mudar o mundo, mas posso contribuir na tentativa de limitar o avanço da Covid-19 entre familiares e amigos e ajudar as pessoas que precisam de algum apoio material.

Estou tentando fazer a minha parte.

Busco manter o otimismo pensando em coisas positivas. Uma imagem que talvez represente o meu momento atual é o de um monte de pedras: as grandes embaixo e as menores em cima, se equilibrando. Quem gosta de visitar cachoeiras e andar em trilhas, principalmente em locais turísticos, já deve ter visto essas pedras.

Essa foto que ilustra o texto é da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Quando eu passava pela trilha, a caminho de uma das cachoeiras do parque, vi um homem amontoando as pedras.

Registrei o momento porque achei a cena bonita. Só um tempo depois percebi que esses montes de pedras são comuns em vários locais turísticos. Passei a perceber a presença delas até na margem de grandes rios.

Lembro dessas pedras quando penso no que é preciso para manter o otimismo e a resiliência no momento atual.

Se estamos bem mentalmente e cercados de pessoas positivas (mantenha distância dos invejosos e pessimistas), é mais fácil passar pela correnteza e se manter de pé.

Sei que não basta pensar e dizer que tudo estará bem de qualquer jeito. As correntes fortes de água vão chegar, mas passarão. Se meu monte estiver no local mais seguro do rio, posso perder as pedras menores de cima, mas as maiores, da base, estarão firmes. Sempre penso nisso.


*@julianaribeiro_blog é uma das fundadoras do Vida de Adulto. Escreve às quartas-feiras, duas vezes por mês.

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