Nunca quis casar. Mas…

Foto de Carla Caroline, filha e marido para o texto Nunca quis casar, mas....
Foto: Arquivo pessoal

*Carla Caroline

O título do texto pode parecer dúbio. Afinal, sou casada há cinco anos (entre morar junto, casamento civil e religioso) e tenho uma filha de quatro anos. Mas, quem me conhece a fundo, sabe que o casamento nunca esteve no meu top 5.

E, olhando as últimas notícias sobre o número de casais que têm encerrado ou iniciado uma “parceria” mais sólida em meio ao distanciamento social, me fez refletir sobre dois pontos:

1) nunca quis casar e estou casada (com direito a todos os ritos possíveis… rs)
2) casamento é só amor?

Meu sonho para a vida adulta sempre foi: ter uma profissão que me desse amor, dinheiro e prazer; uma filha, uma casa e um cachorro.

No entanto, cá estamos… nós três (eu, companheiro e filha), felizes em meio à pandemia da COVID-19, nos reinventando a cada dia e descobrindo que fizemos uma boa escolha, apesar de tudo (Neto também nunca quis casar e ainda falta o “doguinho”…).

Mesmo diante de todos os pensamentos que nutria em relação a relacionamentos afetivos (incluo parceiros, amigos e familiares) sempre gostei de namorar e ter pessoas por perto. Porém, para mim, casamento é como uma sociedade, livre de “gaiolas”, mas cheia de acordos pré-estabelecidos. E os motivos são vários, entre eles: ter de assinar um papel para validar a tal união (seja no início ou no fim) e por exigir “reuniões de negócios” para fazer a “empresa” andar.

Conviver sob o mesmo teto que alguém exige muito mais do que amor.

É preciso ter paciência, foco, direcionamento e uma parceria para suportar os momentos em que as dificuldades emocionais/físicas/financeiras chegam. O diálogo constante para reajustar as rotas faz com que tudo flua com mais leveza, afinal, gerenciar uma casa e tudo o que tal espaço impõe, incluindo a individualidade dos moradores, não é tão simples quanto o “amor romântico” prega.

A tarefa pede dedicação para que, ao final do dia, o suspiro seja de alívio e não de tensão. Tal esforço mútuo gera a sensação de que, mesmo podendo viver momentos e situações a sós, é mágico ter com quem dividir, somar e multiplicar.


*@carlacaroline25 é colaboradora fixa do Vida de Adulto. Escreve aos domingos, duas vezes por mês.

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