Alô? É golpe…

Foto: Arquivo pessoal

*Carla Caroline

Estávamos em um grupo de mulheres que conheci na corrida, quando uma delas comentou que a avó teria recebido aquelas famosas ligações, que em sua maioria partem de presídios, que relata um sequestro de algum familiar. Felizmente, a senhora não caiu na “lábia” de quem estava do outro lado da linha, ligou para a neta e tudo terminou bem. Mas nem sempre é assim!

No entanto, diante do relato, iniciou-se um papo sobre a inteligência dos criminosos e a vida dentro das celas. Então, eis que me veio a lembrança de uma situação vivida em meados de 2014.

Recebi uma ligação parecida, durante meu horário de trabalho.

A pessoa tentava se passar por minha mãe. Porém, alguns fatores foram determinantes para que eu não “caísse”:

• A mulher gritava: “filha, filha…”. Minha mãe JAMAIS me chamaria assim

• Recebi a ligação no número telefônico de DDD 11. Dona Roseli sempre telefonava para o DDD 14 e, no desespero, NÃO seria diferente

Diante de tudo, ao pensar por dois segundos, lembrei que: os bandidos se valem das informações que passamos a eles para conduzir o golpe. Assim, soltei algo como: “Ah… tá bom. Vamos lá…”. Ao perceber o posicionamento, quem estava do outro lado da linha gritou: “Sua vag……, já entendeu que é golpe, né? Espertinha” e desligou.

Passada a adrenalina inicial, dei risada, liguei para a suposta vítima, orientei pela milésima vez sobre golpes e seguimos. Horas depois, o telefone tocou. Adivinhem? Era o cara que havia tentado me aplicar o golpe. Curiosa, amante de histórias de vida e jornalista que sou, resolvi conversar com o mesmo.

Foi então que recebi informações cruciais:

• As ligações, além de render créditos e dinheiro, ajuda os detentos a passar o tempo

• Eles discam números aleatórios. Não há alvo específico. Quem cair, caiu!

• Atividades, educação e trabalho para a população carcerária são necessários e urgentes

• Temos de estar atentos e evitar tomar decisões em meio a momentos de emoção

Em seguida, liguei para o meu namorado (meu atual companheiro), cancelei o chip e registrei um boletim de ocorrência, que não deu em nada (óbvio), pois a ligação partia de uma casa de detenção e logo seria desativado.


*@carlacaroline25 é colaboradora fixa do Vida de Adulto. Escreve aos domingos, duas vezes por mês.

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